Desde 2010 a cidade de São Paulo vem se tornando um museu a céu aberto
O Projeto "Arte na Cidade" incentiva artistas e curadores a promover intervenções criativas no espaço urbano (edificações, parques e praças), ao ar livre. A proposta é transformar espaços livres em cenário de intervenções artísticas em diversos pontos da cidade, estimulando outra percepção da Capital por seus habitantes e ampliando a noção de espaço público.
O artista Thiago Rocha Pitta de Tiradentes, pintou a empena do Edifício Isnard, localizado na Avenida São João, 1.382, com uma tinta especial feita pelo próprio artista. A ideia é que o ferro oxide com as chuvas e crie uma pintura espontânea, que poderá ser acompanhada por 2 anos. É o Projeto para uma Pintura com Temporal. “O painel foi feito com uma tinta de óxido de ferro que ela oxida com o tempo e ela também não de fixa na parede, então qualquer chuva que cair sobre a cidade vai modoficar o painel fazendo com a tinta precipite sobre a impena” afirma Thiago.
Os artistas esperam que as pessoas parem no meio da correria do dia a dia para observar uma coisa diferente do cotidiano. O trabalho será criado para se desfazer. As camadas dessa desconstituição permanecerão como registros de temporalidades sobrepostas. Sem manutenção do artista, a obra se transformará a olhos vistos de toda a cidade, como um desabamento lento ou uma erosão acelerada. O “Projeto para uma Pitura com Temporal” vai se modificando conforme a quantidade de chuva e segundo o artista, as pessoas que passam por ali podem observar essa mudança. “Espero que as pessoas saiam um pouco do automático, que elas parem um pouco ara olhar e contemplar a cidade. Que elas possam ver algo diferente no meio do caminho, do cotidiano delas. Que possa fazer bem ao espírito.”
Para a realização do projeto foi feito um processo que se dividiu em duas fases: primeiramente, foi feita uma comissão de representantes das secretarias municipais de Cultura, Subprefeituras, Verde, Desenvolvimento Urbano e, dependendo do caso, da Empresa Municipal de Urbanização (EMURB), para analiar a viabilidade do projeto em relação ao local indicado. Em seguida, uma comissão composta detrês profissionais experientes da área de artes visuais que examinaram e selecionaram os projetos com base no portifólio do candidato.
Segundo Giovanna Longo, porta-voz da Secretaria Municipal da Cultura, os jurados utilizaram vários critérios de avalização. “Para escolher os melhores projetos foi avaliado a qualidade artística, a contribuição para aprimoramento da linguagem das artes visuais, amplo acesso público, compatibilidade entre o projeto e o local escolhido para desenvolvimento e coerência entre orçamento e cronograma de execução” afirma Giovana. Após aprovação, cada projeto selecionado teve até seis meses para inaugurar a intervenção. As interações podem ser temporárias (com duração de até seis meses) ou semipermanentes (até 2 anos). O investimento total é de R$ 1,2 milhão, com limite de R$ 200 mil por projeto.
Nuvem, obra de Eduardo Coimbra na Praça Charles Miller. Foto: Divulgação.
Outros projetos também foram inaugurados como o Descanso na sala, de José Spaniol, que ficará em exibição até 2013 no Parque Municipal Burle. Em meio à reserva da Mata Atlântica, foi erguida uma sala, com mesas e cadeiras, que fica pendurada a alguns metros do lago localizado no interior do parque. Apoiar a arte pública é hoje, além de operação justificada em si mesma (a arte nunca necessita de pretextos externos para existir), um ato em favor de uma qualidade de vida renovada. O belo, o intrigante, o curioso, o atrevido são dimensões da vida urbana que, numa cidade como São Paulo, foram esquecidas ou raramente cultivadas.




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